22 de mai de 2012

Desvencilhar

     Foi assim, sem querer. Não houve intenção, apenas uma ocasião.Se soubesse tudo o que aconteceria, não se pode afirmar ou negar que, faria diferente.Apenas se foi vivendo. 

   Acompanhando o amanhecer e anoitecer. Desvendando noites estreladas, cheias de esperanças, assim como dias ensolarados envolventes em energia. Vivenciou tardes de tempestades como jamais fora visto e madrugadas chuvosas, impetuosamente.Da mesma forma como uma árvore sofre com as mudanças de estação, passando de linda e cheia de vida com suas folhas verdes, dando flores, frutos, e se despindo até ficar em secos galhos, sua vida foi se formando nas estações. Nas estações da Vida.

   Ah! como lembra das noites em que sorriu para o céu, do dia que estática ficou apreciando o balançar da árvore, em sua explosão de felicidade.Amargamente se recorda dos momentos de aflição, onde não se via o fim do túnel.As tardes ansiosamente aguardadas, para flertar.E os sonhos? Como não falar deles se foi com eles que mais se aproximou de sua vontade? Sua realidade era modificada, podia ter mais um pouquinho do que de si era privado.

   Não se esperava pelo desvencilhar, não daquela forma, jamais daquela maneira.

  Encontrava-se, sem dúvida, em pleno Inverno, como era gélido, cinzenta e assustadoramente cruel.Como sabia não suportar olhar, friamente, para essa estação, resolveu deitar e dormir esperando que a Primavera logo se aproximasse e assim pudesse se ver novamente. 

13 de mai de 2012

Aquele

Aquele som, cheiro, desespero.
Enrosco, encosto, desgosto.


Amizade, sempre é tudo.

Este ano estive, no aniversário do filho da minha amiga. 
Lembro que em 97/98/99...eu não perdi a festa dos filhos da Celia. E lá estávamos nós sempre reunidas para comemorar o aniversário, ou da Lays ou do Luiz Victor. Ou para o niver dos filhos da Josiane, a Thayná e Cinthia, logo depois veio o Cauã.
Os anos foram passando, eles foram crescendo, nós fomos organizando nossas vidas de maneiras diferentes. E anos depois as demais amigas também tiveram seus filhos.
E não pude comparecer no aniversário das 'zemeas', mais lindas, da Fernanda, a Duda e a Sofi,  nem no aniversários da "Tina" da Flávia, e também não tinha comparecido ao primeiro aniversário do Luis da Celí.
Sábado, véspera do dias das mães estava eu lá. Com muita alegria em participar do aniversário desse sapequinha que é o Luis. Só quem o conhece sabe as peripécias que ele faz, e as carinhas mais fofas quando pedimos para ele sorrir.
Um encontro de gerações diferentes.
Nós, com nossas vidas corridas, ensinando os pequenos infantes como é ser amigos.
Amigos que nem quando a gente liga e começa a falar com a pessoa, pensando que é outra, não é mesmo Fernanda?
Ou amigas que não atendem o celular, como a Josiane e a Flavia.
Amigas como as que nunca está em SP quando tem um encontro, como eu. (ai que vergonha).
Amigas que são faladoras e sempre manda a gente ser mocinha, como a Celí.
Amiga como a que estuda, e nos faz acreditar que um dia seremos assim. Como a Ana Lúcia.
E amigas que sempre está lá pronta, para falar, "chega né", como a Celia.
Já me peguei inúmeras vezes pensando em que ponto, qual o momento em que nos ligamos tão fortemente. E sinceramente, não consigo denominar um fato, um episódio ou um momento.
Foram tantas experiências juntas, tantas emoções, tantos risos e choros também.
Estávamos juntas naquele inicio de aula em 1994, CEFAM, 1ºD, e nunca vou esquecer da professora de biologia, Fátima, dizendo que era um ano que ficaria para a história. E ela foi sábia quando disse isso.
Estávamos juntas na viagem de trem à praia. E nos episódios que lá ocorreram. Nos dias que ninguém queria estudar, e nos dias que tínhamos de estudar.
Ana Lúcia, me ensinando português na hora da prova, foi tudo...rsrsrs.
Sempre que vou à diretoria de ensino revejo um pouco de nossa história.
Vivemos uma viagem, única, que nos fez viver muitas coisas estranhas...rsrsrs.
Fomos a enterro de uma colega.
Vimos os filhos nascerem, crescerem.
E hoje estamos juntas ensinando os pequenos que ainda existem coisas boas no mundo. E que amigos são a parte mais boa que poderia existir.
Pra não perder o ritmo, não estarei novamente no niver da "Tina", (acho que é por isso que ela estava brava comigo ontem...rsrsrs), mas tão logo estarei presente.
Amigas sei que nossa vida é corrida, mas amo cada uma de vocês.
E amo as filhas e filho que tiveram. 
Até o próximo encontro.
amigas para sempre.


8 de mai de 2012

Desacreditada

Tenho tido a oportunidade de vivenciar situações maravilhosas nos últimos dias.
Emoções a mil.
A cada dia, a cada experiência nova que a Vida tem me proporcionado, observo como sou feliz, como tenho sido agraciada e beneficiada.
Fui em uma peça de teatro, na galeria Olido, que foi simplesmente sensacional. Assisti Maria Rita homenageando, belissimamente, sua mãe Ellis Regina. Andei por museus, galerias, ouvi samba e até tive a oportunidade de ter meus cabelos arrepiados no Catavento Cultural.
Mas não acabou por ai, um convite, da editora ática, e lá estava eu na Sala São Paulo, tendo uma noite mais que agradável com alguns concertos, coral infantil e um animador show com os Barbatuques.
E foi nesta noite, uma noite de segunda-feira em que poderia estar em casa, dormindo, teclando, lendo blá, blá, blá...estava eu lá na Estação Júlio Prestes, quando observei que as pessoas perderam completamente o senso.
Aprendi na minha infância a respeitar um palco. E o interessante é que minha família nunca me levou a uma peça de teatro, nunca me levaram para ver um concerto sinfônico. Mas me ensinaram a respeitar as pessoas, principalmente em suas apresentações. 
Me ensinaram que deveria ouvir o que o padre dizia, pois lá naquele 'palco' ele estava, me ensinaram a prestar a atenção quando outra pessoa mostrava, apresentava, algo que havia ensaiado por um tempo.
Minha família me ensinou a valorizar o que o outro está fazendo. Admito que não uso isso 100% em meu dia a dia, mas quando me disponho a sair de casa, atravessar uma cidade como São Paulo, em seu horário de pico, para ver uma apresentação, minha única obrigação é respeitar quem ali estiver.
Pois bem, acho que minha família estava errada. Só pode.
Imaginemos a cena:  as portas da Sala São Paulo se abrem, muitas pessoas adentram, ocupam os melhores lugares, que julgam assim, ouvisse um burburinho de conversas, um toque é dado, outro novamente, as luzes começam a diminuir e todos se concentram no palco. O silêncio se faz presente, as apresentações começam, emoções dominam o ambiente.
Uma cena perfeita certo??
Concordo. E neste momento tcharammmmmmmmmmmmmmmm, eis que observo a tecnologia, destruindo o Homem.
Quando entramos na Sala, eu e minha amiga ficamos nas últimas cadeiras, já sabendo que seria o caos sair ali de dentro. Algumas pessoas ao nosso lado e eu consegui contar quatro pessoas nos seus celulares. Havia até um tablet (chique né). Desacreditei, com um cenário fantástico à sua frente, as pessoas resolveram ficar em suas redes sociais, falando sabe-se lá o que, com quem sabe-se lá onde, resolvendo sabe-se lá o que.
Me questionei a noite toda sobre aquela cena, desnecessária, que se passava ao meu lado. 
Não sei quem eram aquelas pessoas, nem qual as oportunidades que elas tiveram e tem em suas vidas, mas sei que estamos num momento onde estamos perdendo o respeito pelo outro.
Luzes dos celulares chamam a atenção de quem está ao seu lado, e dessa forma desrespeito um próximo por que quero não perder nenhum momento, 'fascinante' das redes sociais, perco a oportunidade de olhar, de ver, de vivenciar a emoção de quem está la no palco se apresentando e mais uma vez desrespeito.
Estamos esquecendo pequenas vivências sociais, que são necessárias. Estamos nos olhando cada vez mais, e vamos nos tornar solitários, amargos e tristes.
Desacreditada, vivenciei toda uma noite fascinante. Voltei para minha casa, dormi, e neste dia em nenhuma rede social estive.