28 de mar de 2012

Seu brinco sorriu pra mim

Corações disparados, vozes ofegantes.
Uma se entrelaçando na outra, deixando no ar apenas o perfume do amor.
Alma sedenta de cada vez mais prazer, faz com que descubramos caminhos antes não conhecidos para o plena realização.
Olhares se cobrando, se comendo, se buscando.
Mãos desvendando, conhecendo, realizando.
Lábios que não cansam de se tocar, de experimentar.
Há uma necessidade de ambas as partes e fazer a outra gemer, se contorcer de prazer, que por momentos se esquecem de si, só veem à sua frente sua fonte, perfeita - mesmo na imperfeição, de satisfação.
Quando ambos os corpos se entregam a voluptuosidade, relaxam, repousam um sobre o outro, com uma plena serenidade.
Nesse momento não tem mais com que se preocupar, apenas degustar.
No dia seguinte, para que nada do que foi vivenciado seja esquecido, seu brinco, sorrateiramente na minha mesa, sorri pra mim, lembrando dos momentos que te tive nua, suada, gemendo em mim.

16 de mar de 2012

Esperança

Como num deserto, seco, árido, sedento, angustiante, me vejo.
Um solo por vezes infértil à espera da água para livrá-lo de sua sina.
Não se cansa de esperar, porém, se conhece o suficiente para saber-se só.
No anoitecer suas esperanças renovam, apenas para não morrer de vez, pois sabe que sua morte é lenta, seu legado é longo, não se rende à batalha da sobrevivência, tenta, insiste, repousa cansado de mais um dia de espera.
Ao amanhecer, não desanima, com ternura em seu olhar (busca no mais profundo de si o melhor que tem, para insistir em continuar) sorri para o sol e no seu intimo deseja que seja naquele dia sua libertação total.
E quando suas forças parecem acabar, à tarde chega e mais uma vez, para não se render, observa o céu e vê nele uma esperança da chuva, da vida, da paz.